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Saturday, January 02, 2021

Colorir Para Quem Não Consegue Dormir - Ano Novo

Ano Novo, Tortura Nova! Resolvi começar a torturar-me logo no início de 2021 e, esta tarde, pintei flores! E os melhores title cards de sempre... em aguarela!

30 DAYS OF FLOWERS

Olhei para as duas páginas que estão disponíveis para imprimir no site da Johanna Basford, no desafio #30daysofflowers (ver na lista dos links). Já as tinha imprimido* em papel normal (ver aqui), mas como não gosto de pintar flores, como não sei pintar flores e como detesto pintar flores, deixei-as de lado. 

A minha mãe passou esta manhã a apregoar Ano Novo, Vida Nova, mas não foi tortura suficiente. Então achei que me devia torturar ainda mais um pouco, e resolvi pintar algumas flores. Usei apenas os lápis Giotto Stilnovo e a caneta de gel branca. Tentei, insisti, persisti, odiei cada segundo e odiei o resultado. Percebem agora porque é que desisti de comprar os livros da Johanna? São flores a mais para mim!


EVIL UNDER THE SUN

Um dos filmes que vi nesta época de festas foi o Evil Under the Sun de 1982, baseado no romance policial de Agatha Christie, publicado em Junho de 1941. Corresponde ao 1º episódio da 8ª temporada da série com o David Suchet (2001) e ao 25º episódio da 2ª temporada de Les Petits Meurtres d'Agatha Christie (2009). Não gosto da adaptação francesa, portanto não vi este episódio. Refiro-me apenas aos dois anteriores. 

Há algumas diferenças entre as duas adaptações, mas o conteúdo é o mesmo. Alguém é assassinado misteriosamente e apenas Poirot é capaz de descobrir o assassino. Ou assassinos!   

O filme de 1982 tem uns belíssimos title cards da autoria de Hugh Casson (Londres, 1910-1999), um arquiteto britânico que, entre muitas outras coisas interessantes que terá feito, ensinou o atual Príncipe de Gales a pintar aguarelas. Teve também um programa na BBC2 sobre casas e lugares que ele gostava de visitar. Os title cards estão disponíveis em vários sites online, por isso vou só reproduzir aqui três. 




Deixo também uma pintura disponível no site da Royal Academy (ver aqui) da qual fez parte desde 1970 e foi seu presidente. 

* Como já me perguntaram «diz-se 'já tinha imprimido' ou 'já tinha impresso'?», aqui fica a explicação: quando há dois particípios, imprimido (regular) e impresso (irregular), com os auxiliares ter e haver usa-se o regular e com os auxiliares ser e estar usa-se o irregular: 'Eu já tinha imprimido o desenho na folha'; 'Eu havia imprimido o desenho na folha'; 'O desenho foi impresso na folha'; 'O desenho está impresso na folha'. E se for usado como adjetivo: 'Na folha impressa com o desenho...' Não precisam de agradecer a explicação!   

Sunday, April 26, 2020

'Cores de Água' que Imprimem Causas 8/20

E eis que chegamos ao fim de mais um mês de aguarelamentos infrutíferos! Durante a semana fiz um périplo pelo YouTube e pelo Instagram, à procura de inspiração, e eis que ela me surgiu quando eu menos esperava! Mas vamos por partes. O canal Magia da Cor tem umas 'aulas' que eu pretendo seguir, mas o que me apetecia mesmo era descobrir se tinha capacidade para fazer as minhas próprias pinturas, a partir dos meus desenhos, traços meus, para não copiar os trabalhos dos outros. Precisava de um balanço e foi exatamente isso que eu fiz! Peguem numa almofada extra, sirvam um café ou um chá, talvez um copo de... O quê? Se vai ser chato? Claro que vai! Não querem...? Mudem de blogue!

Material:      
  • o bloco de desenho Canson Imagine 200g A5 tem servido perfeitamente para as primeiras experiências; tenho usado os dois lados e as folhas ficam um pouco retorcidas, mas paciência!
  • a caixa de 12 aguarelas Giotto com pincel sintético também foram suficientes até agora, embora as pastilhas mais escuras me causem alguns problemas; não consigo que se espalhem de forma uniforme, mas pode ser simples falta de jeito!
  • dos 3 pincéis escolares Giotto (números 3, 4 e 5) são perfeitamente dispensáveis até porque, como as cerdas ficaram de tal forma 'despenteadas', foi impossível usá-los uma segunda vez!
  • não listei, mas tinha comprado um pincel-água (pincel com reservatório) de 8mm por €2.50 numa loja chinesa, uma vez que o material que tinha comprado era, afinal, feito na China; já o experimentei, para ver como funcionava, mas ao apertar o reservatório de água, esta sai por todo o lado, menos pelas cerdas!
  • godé é muito útil e indispensável, por isso preciso de um maior; já referi que para aproveitar as tintas será mais adequado um godé com tampa, no entanto, por agora, eu não pinto todos os dias e não sei como ficará a tinta de uma semana para a outra; 
  • a fita de papel é um pouco forte, tenho de a colar e puxar na mesa de trabalho várias vezes; se a fita ficar muito tempo no papel, pode rasgar o mesmo ao ser retirada; convém também ter cuidado com o tempo quente, pois a cola pode derreter e passar para o papel, deixando-o pegajoso e inutilizado;
  • toalha, recipientes para a água, muita água e... material de desenho! O desenho é um assunto à parte! Por agora importam os pincéis, depois as pastilhas de aguarela e por fim o papel, pois não podemos pintar sem os três!    
PINCÉIS

O primeiro problema que encontrei com os pincéis foi o nome deles. Reparei que os nomes não são iguais em português pt e br e cada pessoa lhes dá um nome diferente, tentando caracterizá-lo pela forma. Os pincéis usados nas aguarelas são o espatulado (pt) ou chanfrado (br), o redondo, o angular ou biselado, o leque, o língua de gato e o de ponta fina ou extra fina. Claro que, cada um, varia em tamanho. 

  
Tanta variedade de pincéis implica descobrir para que servem. A solução está em ver como são usados e experimentar cada um para entender os efeitos que fazem. Já descobri que o tamanho das cerdas - longas no caso dos pincéis para aguarelas - é por si só um desafio, pois se o pincel estiver bem embebido, dá para preencher uma grande área de papel, o que também é problemático quando a área a preencher é pequena e as cerdas puxam muita água. Por esta razão - pela fluidez da água - os pincéis de aguarelas são macios, sendo os ideais os de cerdas naturais. Embora me pareça que haja bons pincéis sintéticos, as marcas mais reconhecidas usam pelo de marta ou de esquilo. Confesso que me incomoda saber que pode andar por aí uma marta ou um esquilo com pelo cortado para eu fazer umas pinturas, por isso vou continuar a usar os sintéticos.   

O facto de preferir pincéis sintéticos não significa que não deva cuidar deles, muito menos deixá-los na água por tempo indeterminado, pois as cerdas ficam dobradas. Já criei o hábito de os deixar pousados na toalha. Há alguns produtos e acessórios para lavar os pincéis, mas uma boa esfregadela com detergente líquido da louça resolve o assunto. Existem porta pincéis e estojos para os guardar, mas deixá-los num copo com as cerdas para cima é mais prático. 

O que eu não sabia: Os pincéis naturais, depois de lavados e secos, ficam descabelados - os sintéticos estão sempre em forma! No vídeo sobre pincéis no canal Magia da Cor (ver aqui) é recomendado que se use cola em stick para manter as cerdas coladas e protegidas, substituindo assim a goma que trazem quando os compramos. A cola usada é a 'Pritt original', mas creio que uma cola em barra para papel resulte da mesma forma. Antes de usar os pincéis, basta lavá-los com água. Esta recomendação é indicada principalmente para os pincéis mais finos, para evitar que as cerdas abram. 

Que pincéis devo ter? É a pergunta para 1.000.000Δρ - quase €3.000, não é muito, mas dá para muitos pincéis! No mesmo vídeo, é recomendado consoante a quantidade de pincéis que se pretende adquirir: três, cinco ou sete pincéis. Os primeiros três são: espatulado 22, espatulado 10 e redondo 4, com ponta fina para substituir um de ponta fina; se preferir cinco, acrescentar: redondo 11 e espatulado (não indicou o número); se preferir sete, acrescentar: língua de gato 7 e extra fino (não indicou o número); por fim, recomenda um leque.


Há no mercado uma variedade de pincéis e, mesmo entre as marcas direcionadas para amadores, é possível encontrar bons materiais. Pesquisei numa loja da especialidade e descobri que consigo comprar quatro finos, quatro redondos e quatro espatulados (total de doze pincéis) por €15. Estou só à espera que a primeira fase de desconfinamento comece para poder voltar a uma certa normalidade e fazer compras em loja! [sobre a loja e o que comprei, ver aqui]

No périplo que fiz no Instagram, encontrei a  (ver na lista dos links) - uma das minhas preferidas - e vi que ela recebeu um pincel-água da Faber Castel. Tinha visto que estava disponível na Fnac e encomendei um por €6. Não sei exatamente que tamanho será, mas vamos ver!

SANTORINI MINIMALISTA  

O YouTube e o Instagram servem para inspirar, descobrir e aprender, mas para inspiração mesmo, não há melhor do que o bom velho amigo Pinterest. O meu problema com esta rede de partilha é que nem sempre consigo localizar o autor da imagem, mas como fonte de inspiração é do melhor que há.

Não desenho há mesmo muito tempo. Tenho um bloco de desenho Canson XL Croquis 90g A4 tão antigo que até a capa já mudou. Mas o bloco - assim como o lápis 7B da Faber Castell - estão em perfeitas condições e os anos pararam por mim, mas não por eles! Acho que está na altura de lhes dar utilidade. Fiz então um esboço simples, testei com lápis de cor, passei o desenho para um papel vegetal e transferi para o verso da última folha usada. Chamei-lhe 'Santorini Minimalista'. A anos-luz de estar próximo do que imaginei, consegui sobretudo divertir-me ao fazê-lo - foi o mais importante.

Sunday, April 19, 2020

'Cores de Água' que Imprimem Causas 7/20

Depois de uns dias a olhar para o resultado do Staircase in Tokyo, devo dizer que a vontade de aprender a pintar aguarelas estava a ir nas fortes correntes do rio Douro. Com o ânimo ainda um pouco abaixo de zero, preparei a mesa, os pincéis e... mãos à obra! 

Até agora tenho usado o pincel sintético do estojo de pintura da Giotto, mas da última vez que usei as aguarelas, deixei os três pincéis naturais da mesma marca na água, por causa da goma que tinham no pelo. Quando os lavei para tirar toda a goma, pareceu-me impossível usá-los pois os pincéis secaram e ficaram completamente despenteados! Em vez de 'Giotto' (de Giotto di Bondone, pintor italiano) podiam ser 'Einstein'! Separei o pincel nº 3 para usar nas áreas mais pequenas do desenho, embora esteja desconfiada se o seu estado despenteado-efusivo vá servir para alguma coisa!*

Mentalmente, pelas mesmas razões explicadas na publicação anterior, ordenei as cores e comecei as misturas. Desta vez, sem qualquer expectativa! Como não tenho máscara para aguarela, cortei um pouco de fita de pintura para colar na lua na terceira 'janela' e na sombra da lua no fundo da piscina (8). Não vou usar cores próximas para poder sobrepor, por isso decidi experimentar com fita a ver se resultava.

Lá fui, usando a mesma técnica que usei na 'causa' anterior: mistura, mistura, experimenta, está mal, mistura, experimenta, está bom e pinta! Ignorei dois pormenores do desenho original para reduzir aos espaços pequenos e:
  • pintei do (1) ao (7) e esperei que secasse para tirar a fita da lua, uma vez que ia acentuar a mistura (3) para fazer a (8) e já estava sem espaços no godé;
  • só depois de pintar o (5), (6) e (7) é que percebi que podia ter usado a técnica de três camadas do mesmo tom: primeiro o (5), depois escurecia um pouco para o (6) e fazia o mesmo para o (7), mas pintei como se fossem três partes diferentes.
Seria interessante repetir o desenho para ver se, usando outras técnicas, conseguia melhores resultados. Hum... De momento, não estou com vontade de me torturar a mim mesma! Acho que é um bom exercício para fazer mais tarde e com outro desenho. Estes são difíceis de reproduzir! Retirei, então, a fita e resultou! Fiquei com os espaços limpinhos para pintar num outro tom! O que não quer dizer que tenha feito um bom trabalho...

Por fim, usei o pincel descabelado para a pequena área (10) por cima da (5) e (1). Assim que apanhou tinta, o pincel deixou o seu ar descabelado e portou-se à altura. Reparei que é muito mais suave do que o sintético, ao ponto de ser necessário uma mão mais 'leve' para o usar. Acho que percebi a diferença entre os pincéis sintéticos e os naturais, mas não pude deixar de pensar que estava a usar pelo de pónei. No entanto, escusava de o usar, pois o pincel sintético dava perfeitamente conta do recado!

Finalmente, mais uma 'causa' concluída! Retirei toda a fita - antes de a usar, tenho mesmo de lhe retirar um pouco de cola; provavelmente foi por estar há alguns dias no papel, arrancou-me um pouco da superfície do mesmo tanto em cima como em baixo - e vi o resultado dos dois desenhos.



Desta vez não sobraram tintas para uma experiência. Ou foi sorte, ou aprendi a calcular exatamente a quantidade de tinta que preciso! Será que aprendi? Nááá! Foi mero acaso!

Resta-me agradecer à Charlotte Taylor por me ter deixado usar os seus desenhos e pedir-lhe desculpa por os ter assassinado! Por falar em assassinato, e se eu fosse para Rhodes resolver um crime? [aqui]

NOTAS:
* Há uma técnica para 'pentear' os pincéis 'Einstein' que vim, mais tarde, a descobrir. Ver aqui. 

Sunday, April 12, 2020

'Cores de Água' que Imprimem Causas 6/20

Decidi deixar as tentativas de variação de cores e explorar outro lado: a pintura ou preenchimento de áreas com uma só cor, de modo a criar estruturas. Decidi começar pelas obras da Charlotte Taylor (conta do Instagram aqui) que está ciente do que eu vou fazer. Espero que não desmaie se vir o resultado final.

Charlotte Taylor, Staircase in Tokyo e Morning Pool

Escolhi estas duas para começar, uma vez que só preciso de uma cor para cada espaço. Como é que eu pensei em 'aguarelar' isto:
  • dividir uma folha em duas áreas com a fita de pintura;
  • passar os desenhos para o papel com traço leve, pois ainda não comprei a borracha pão;
  • listar as cores que preciso - quero preencher tudo, portanto vou tentar 'sujar' um branco para as zonas mais claras, tudo será preenchido; 
  • organizar a ordem da pintura - do mais claro para o mais escuro.
E cá vamos nós! Resolvi poupar no papel - desde a experiência 1 que estou com baixas expectativas quanto à minha carreira como aguarelista - portanto dividi uma folha Canson Imagine 200g A5 a meio com a fita de pintura e passei o desenho a lápis.* Estou a usar um Faber Castell 9000 7B e o risco é muito escuro. No canal Magia da Cor é recomendado um HB ou um 2B. Já acrescentei no meu carrinho de compras, mas como ainda não comprei, trabalho com o 7B que é ótimo para fazer borradas! Eu bem tentei um traço leve, mas ficou bastante escuro. Ainda tinha uma borracha Staedtler Rasoplast novinha e usei para passar por cima do desenho: ficou preta! 

Escusado será dizer que o segundo desenho foi mais difícil de passar, pois tem bastantes traços curvos, mas já lá vamos!

Staircase in Tokyo parece simples, mas está longe de o ser. A profundidade e os ângulos são dados apenas pela cor e eu ainda não testei pintar em profundidade! Depois do desastre da experiência 1 - sim, eu já vou parar de referir o pior desastre das minhas 'causas' - pior não pode sair, por isso prendi o desenho, numerei as cores mentalmente, usei o verso da folha das experiências para as testar e lá fui eu! Já sabia que não ia conseguir tons idênticos ao original, ou a este original, que segui pelo telemóvel e não por uma impressão em papel, uma vez que a reprografia está fechada dado o estado de emergência em que vivemos. Nunca me passou pela cabeça, de repente, ver a minha vida de pernas para o ar por causa de um vírus que provoca infeções respiratórias graves. Quão frágeis somos nesta bola azul suspensa no espaço?


Voltando às 'cores de água'! Fui puxando água (cinco gostas com o pincel) e o pigmento para o godé, misturando até obter o tom que mais se aproximava do original. A minha lógica foi esta: 
  • (1) 5xs água + 2xs branco + 1x preto;
  • (2) ao (1) acrescentei 2xs branco + 1x amarelo;
  • (3) ao (2) acrescentei 3xs amarelo;
  • (4) num novo espaço do godé: 5xs água + 1x vermelho; 
  • (5) ao (4) acrescentei 2xs vermelho;  
  • sim, eu sei que isto é chato como tudo, mas o blogue é meu e eu é que decido o que me apetece escrever, por isso vou continuar;
  • (6) num novo espaço, 5xs água + 1x verde claro;
  • (7) ao (6) acrescentei 2xs verde claro;
  • (8) ao (7) acrescentei 2xs verde escuro;
  • (9) ao (8) acrescentei 2 xs verde escuro;
  • (10) no último espaço do godé, 5xs água + 2xs preto. 
No fim, tinha todo o desenho preenchido, embora o (1) e o (2) sejam praticamente impercetíveis, garanto que se nota qualquer coisa no papel! O (3) e o (5) ficaram muito espessos: o (3) achei que estava muito claro e não estava, tendo de voltar a misturando até obter o tom final; o (5) reparei que estava muito espesso pois é resultado da mistura do (4). Nunca, em momento algum, me lembrei de diluir com água! Por um lado ia clarear mais do que queria, por outro ia diluir, mas o facto de ter ficado espesso permitiu que estes tons escuros tenham saído melhor, basta comparar com o (9) e o (10). 

Resultado final? Não desmaiem, ok? Podia ser pior!


NOTAS:
* Há um vídeo no canal Magia da Cor sobre como passar um desenho, mas nesta altura eu ainda não o tinha visto. Clicar aqui para ver as minhas notas sobre esse vídeo.

Sunday, April 05, 2020

'Cores de Água' que Imprimem Causas 5/20

Mais uma semana, mais uma borrada! Desculpem, aguada! Andei a semana toda a varrer o que resta da minha vontade de continuar e percebi que tenho mais vontade do que jeito, por isso resta-me continuar. Em frente! Em frente como o D. Quixote contra os moinhos de vento!

No verso da terceira tentativa da variação de cores resolvi variar pela última vez - esta é a última variação que faço, já estou cansada de variar e não conseguir bons resultados. Como não sabia bem o que variar, risquei círculos, apaguei, risquei quadrados, apaguei, risquei retângulos, apaguei até que resolvi fazer aqueles triângulos que a Mika mostrou no vídeo que já partilhei (2/20). A versão oficial é que eu quis fazer uns triângulos diferentes para não estar a copiar as ideias dos outros, mas a verdade é que eu devo ter bloqueado de tão farta que estava de traçar e apagar círculos, quadrados e retângulos, que não consegui fazer os triângulos sobrepostos; assim fiz triângulos dentro de triângulos e o objetivo era pintar o primeiro mais claro e o segundo mais escuro. O resultado do desastre, digo, trabalho foi este:


Sobrou um pouco de tinta. Inspirada por uns vídeos que vi no Instagram - talvez o motivo do meu desânimo, porque há pessoas que fazem trabalhos tão lindos e eu ainda ando aqui às voltas com as variações - resolvi pela primeira vez, repito, pela primeira vez, pintar sem pensar em nada, apenas seguir o que a minha intuição dizia para fazer.

Arranquei nova folha ao bloco - pensei, confesso que pensei se ia desperdiçar assim uma preciosa folha, mas como tenho planos de grandes pinturas para a próxima semana, vou precisar de uma folha para teste, por isso vou aproveitar o verso desta para 'rascunho' - fiz um retângulo com a fita de pinturajá comprei uma, por €1.40, numa loja aqui da minha rua que vende produtos para jardinagem e bricolage - peguei no pincel e lá deixei a minha intuição fluir. Conclusão: a minha intuição anda muito mal! Não sei o que é que lhe deu, só sei que inspirada pelos vídeos que vi de céus estrelados e paisagens magníficas, saiu uma borrada a que chamei experiência 1. É preciso ter coragem para publicar maus trabalhos, e eu não tenho! Foi a minha primeira pintura sem desenho de fundo e o desastre foi tão grande que vou terminar por hoje! 

Sunday, March 29, 2020

'Cores de Água' que Imprimem Causas 4/20

Já vou na quarta publicação sobre as ditas 'cores de água' que Shakespeare disse que 'imprimem causas'? Por esta altura já devia saber pintar, não? Não! Muito longe ainda de dominar água, quantidades de pigmento, variações de cor... A única coisa que parece que estou a dominar é o pincel. Pelo menos é a ideia que dá a partir da minha última tentativa! 
O que foi que eu fiz desta vez? (Para além de ter aprendido a por musiquinhas nos vídeos?) Ainda a matutar na variação de cores da Mika e na tentativa falhada que partilhei na publicação anterior (3/20), peguei numa nova folha - já só tenho 48! - risquei uma série de retângulos e lá comecei, como na 'causa' anterior, a pintar do mais claro para o mais escuro:

  • (1) variação do rosa - falhada! 
  • (2) variação do azul - sem comentários... 
  • (3) variação de roxo feito por mim mesma - como sobrou muita tinta do (1) e (2), resolvi aproveitar e misturar as duas, acrescentando um pouco de pigmento de cada um, de cada vez que avançava nos retângulos, mas falhou por completo! 
  • (4) variação do amarelo - VITÓRIA! Finalmente consegui! Mereço champagne! Vou dar uma festa com fogo de artifício como a do Gatsby-versão-DiCaprio!
  • (5) variação de verde estranho feito por mim mesma - mais uma vez, sobrou tinta da (3), que já era mistura da (1) e (2), e resolvi misturar com o que sobrou do amarelo da (4), conseguindo um 'verde estranho'. Aqui foi fácil conseguir a variação: bastava ir acrescentando um pouco da mistura do (3) de cada vez que avançava para um novo retângulo. Fácil! (Disse ela, como se percebesse muito disto!)
Enquanto secava e eu apreciava o trabalho hercúleo... O quê? Menos? Menos?!?! Vocês sabem lá o que isto custa! Sim, trabalho hercúleo! Isto é mais difícil do que matar o Leão de Nemeia ou apanhar todas as aves birrentas do Lago Estinfálio! Vocês sabem lá! Quê? Onde é que fica o lago?...

Estava eu a dizer, enquanto eu apreciava o trabalho hercúleo da variação de cores, dei por mim a concluir que era mais fácil se fizesse ao contrário! Se começar por um tom mais escuro e se for acrescentando água, consigo um tom mais claro com mais facilidade? E se usar aguarela em bisnaga, será que desperdiço mais ou será que controlo melhor a variação de cor? Pelo menos controlo melhor a quantidade de tinta... E se usar um conta-gotas? Controlo melhor a variação de cor ou estou apenas a desenvolver um transtorno obsessivo compulsivo?  

Sunday, March 22, 2020

'Cores de Água' que Imprimem Causas 3/20

Depois do resultado desastroso da semana passada... resolvi continuar! Como dizem que disse Winston Churchill, o sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo!

Estive a ver dois vídeos no Magia da Cor (este, sobre materiais e este, sobre inspiração) e registei  algumas notas como se fosse o 'detective sergeant' do 'detective chief inspector' da série britânica policial Midsommer Murders que ando a ver! Informações a acrescentar neste momento:
  • os pincéis naturais são melhores e mais duráveis do que os sintéticos - mas eu adoro o meu sintético! Os tais que me custaram apenas €1 são de pêlo de pónei e confesso que me faz um pouco de confusão saber que pode andar por aí algum pónei com falha de pêlo;
  • guardar a tinta que sobra no godé - eu deitava fora, sendo portanto útil um godé com tampa;
  • borracha pão (pt) ou borracha limpa-tipo (br) - já me tinha interrogado como é que eu ia apagar as linhas a lápis sem estragar a pintura;
  • pedir autorização para copiar trabalhos - faço sempre, até porque gosto de avisar os verdadeiros artistas que estou prestes a assassinar as suas belas obras de arte!  
Enchi os pulmões de coragem e lembrei-me da variação de cores que a Mika mostrou naquela linda pintura, feita com apenas duas cores, no vídeo que partilhei na publicação anterior (2/20). No verso da folha usada na semana passada - eu disse que estas 50 folhas iam ser muito poupadinhas! - marquei doze pequenos círculos em grupos de três e o objetivo era usar os dois verdes, o laranja e o vermelho do meu estojo de aguarelas da Giotto em três tons diferentes, do mais claro para o mais escuro.    
Nossa, de quem é esta mão linda e elegantérrima? Ah, é minha! Bom, então o que é que eu resolvi fazer na primeira fila (1)? Comecei pela técnica aguada, depois usei o verde bastante diluído - olhem esse jeitinho para sugar o excesso de água com o lenço, ignorando a toalha ali ao lado, que profissionalismo! - e ficou um tom bem claro. Objetivo cumprido! Passei para o segundo círculo, teria de ser um tom mais forte que o anterior, mas não muito, porque tinha ainda um terceiro para um tom mais escuro. Usei o pincel com alguma cor, ia usar a técnica média (se não existe, passa a existir!) e por isso fiz o mesmo no terceiro círculo. A lógica era ter os círculos iguais e acentuar a cor no segundo e no terceiro... Será que resultou? Nãooo! Óbvio que não! O segundo círculo ficou muito mais escuro que o terceiro. Grrr!

Segunda tentativa: mesmo método! Comecei a suspeitar que podia ser a encarnação do Churchill, pois estava a ir de fracasso em fracasso e não perdia o entusiasmo! Sucesso é que nem vê-lo! Talvez fosse um pouco cedo... Resultado: só na (2) e na (4) consegui o efeito que pretendia, embora não faça ideia como! No terceiro círculo da (3) exagerei nas vezes que passei tinta e o papel começou a desfazer-se um pouco. Também preciso aprender a controlar a quantidade de água com tinta puxada no pincel, pois espalha com facilidade para fora dos limites pretendidos.


Enquanto datava e assinava, lembrei-me dos versos finais do poema de Robert Frost: ainda tenho muitas milhas pela frente! Muitas mesmo... 

Sunday, March 15, 2020

'Cores de Água' que Imprimem Causas 2/20

Antes de começar, convém referir que, sem contar com o uso de guaches na escola, eu nunca me aventurei na pintura. A não ser a da cerca de madeira que vedava o acesso do meu cão - um caniche preto de porte médio que mais parecia um tiranossauro fofinho - ao jardim, evitando que ele trucidasse tudo o que fosse planta.

Entretanto, das minhas passeatas pelo YouTube à procura de 'aguarelamentos', surgiu nas recomendações este vídeo da Mika Serur (ver canal na lista dos links). A imagem de fundo tem aguarelas tão lindas que decidi ver antes de começar. Claro que não devia ter visto - fiquei com receio de não conseguir pintar nada decente - mas as dicas são muito úteis e o vídeo atira a inspiração lá para o 'espaço espacial', bem alto... até quase atinge um buraco negro!   



Dicas mais importantes:
  • precisamos experimentar, fazer, fazer, fazer, praticar, praticar, praticar;
  • materiais: pincéis redondos; papel 300g ou, para começar, 200g (usar o lado com textura); aguarela em pastilha dura mais, porque se desperdiça menos do que em bisnaga; passar a fita de pintura numa superfície para retirar um pouco da cola antes de usar; 
  • água: usar com fartura - toda a do oceano, Mika? - pois a água é o que dá o tom claro à cor e serve também para corrigir erros (anotado!);
  • precisamos de paciência: tem de secar cada camada antes de pintar novamente;
  • não há manual de técnicas: resta experimentar e depois registar como se fez;
  • aguarela tem vida própria: nada fica igual; usar folha de teste e terminar sempre o trabalho!   
Nota: Adorei o estado da toalha da Mika. A minha tem de ficar igualzinha!
Nota dramática: Aos 6'25'' a Mika dá exemplos e eu morri de inveja: vou ter de conseguir fazer aqueles triângulos também! E aquele dos níveis de diluição da cor? Como é que eu faço aquilo? (Foi nesta parte do vídeo em que a minha inspiração começou a entrar no tal buraco negro!)

Arranquei a primeira folha ao bloco Canson Imagine 200g A5 - as superfícies frente e verso são idênticas - e marquei seis círculos bem grandes para a minha primeira experiência. Pincel na água transferida para o godé... Calma, não devia ter sido pincel na água e puxar tinta da pastilha? Bom, pincel na pastilha rosa e lá fui eu, testando, tentando perceber a quantidade de tinta e de água necessárias para preencher o círculo, usando a técnica seca (1):  
Ficou... horrível. Avancei então para o segundo círculo, mas passei primeiro uma camada de água e só depois a tinta, técnica aguada, e ficou melhor (2). Mais entusiasmada com o resultado, avancei para a segunda linha de círculos, usando a pastilha azul (3). Só tenho pena de não ter apagado dados no telemóvel para ter mais tempo de gravação e registar os meus primeiros passos na aguarela, se bem que eu não estou a dar passos, estou a gatinhar... 
Continuei! Lá fui: no seguinte (4) pintei muito aguado (não sei se existe, mas já que não há manual, eu acabo de nomear a técnica 'muito aguado'!), deixei secar um pouco, pintei metade com mais tinta e menos água, deixei secar novamente e depois perdi a cabeça e usei o azul escuro por cima. Conclusão: as cores escuras parecem ser mais fáceis de dominar. Já que tinha inaugurado a técnica muito aguado, voltei ao rosa (5), muito diluído e depois voltei ao aguado com o roxo (6).

Ainda não satisfeita com a trapalhada, voltei ao primeiro círculo agora bem seco e resolvi experimentar um tema floral (ou melhor, tentei pintar umas folhas, mas eu não sei pintar folhas!) em branco, por cima, para ver no que dava (7). Deu asneira!


Assinei, pus data da desgraça, fiz as minhas anotações e acrescentei ainda uma frase de um amigo meu que tem de lidar com a minha obsessão pela perfeição e me diz muitas vezes: aprender por passos imperfeitos. E aguarelas é isto: aprender por passos imperfeitos! 

Sunday, March 08, 2020

'Cores de Água' que Imprimem Causas 1/20

Resolvi 'aguarelar'. Podia treinar para a maratona, por exemplo, mas está a chover. Podia usar um daqueles livros de colorir com a desculpa de ser arteterapia, mas não sei onde está o meu. (Entretanto encontrei: ver aqui.) Está na hora de deixar a arte e passar a fazer arte. Ou borradas. O tempo dirá.

Vi um curso numa academia de artes plásticas no Porto que custava tanto quanto um candeeiro em latão que ficava mesmo bem, mas mesmo muito bem, na minha mesa. Entre 6 aulas de 2 horas aos sábados de manhã e um candeeiro vintage, resolvi ir ao YouTube. 

Um dos primeiros vídeos que vi foi este, do canal Magia da Cor (ver lista dos links):     


Conclusões a que cheguei: 
  • o desenho é preso à superfície com fita de pintura (pt) ou fita crepe (br), servindo de margem - será que também pode ser usada para cobrir as áreas que não serão pintadas, ou haverá algo mais prático do que contornar com o pincel? [resposta aqui]
  • a superfície do céu é primeiro molhada com água - vim a descobrir que é a técnica aguada, para ajudar a diluir e clarear a cor, que posteriormente é acentuada por camadas; 
  • as aguarelas usadas são em bisnaga e não pastilha - presumo que sejam mais práticas para controlar o tom da cor; 
  • o pincel usado é o de água, que eu julgava serem apenas usados para as pinturas com lápis de cor de aguarela - sim, esta coisa existe e está na minha lista de experiências;
  • o godé (pt) ou godê (br) é ótimo e a esponjinha para sugar o excesso da água também - o meu godé é patético e uso lenços de papel, papel absorvente, toalha, enfim... 
Material de iniciante com falta de jeito que já reuni: 
  • bloco o desenho Canson XL Aquarelle 300g A4 que comprei, à gulosa, na FNAC por €8.09 e que resolvi guardar para quando souber pintar algo decente - é um desperdício gastar papel de qualidade tão boa nas experiências e se estão a perguntar-se porque é que eu estou a poupar... é que o raio do bloco só traz 30 míseras folhas! 30!  
  • resolvi então ser mais modesta e comprei um bloco de desenho Canson Imagine 200g A5, na FNAC (não recebo nada pela publicidade, mas se a FNAC me estiver a ouvir, ou a ler...) por €4.49 - 50 folhas que vão ser muito poupadinhas!
  • estojo caixa de 12 aguarelas Giotto com pincel, na FNAC por €2.96 - eu toda feliz da vida, a pensar que era italiana, uma vez que todo o meu material da pintura da Giotto é maravilhoso e é feito em Itália, achei que o preço era de promoção, vou a ver e... não, não é feito na China, é na Índia! 
  • ainda na onda de achar que era em promoção de fim de stock, comprei também um conjunto de 3 Pincéis escolares Giotto por, pasmem-se, €1! - sim, feito na China! Entretanto vim a descobrir que não faltam pincéis nº 5 nesta casa... enfim!
Guardei o bloco das míseras 30 folhas e os pincéis extra, já que vou usar o que vem no estojo da Giotto, um pincel de pêlo sintético sem número, mas eu penso que é nº 5; separei uma pequena toalha branca para a ir vendo a manchar-se de tinta e me dar aquele ar de pintora profissional; um copo, ou melhor, um frasco grande que era de compota, uma vez que o vidro é pesado e assim não corro o risco de o entornar e dá para bastante água; e uma vez que a origem do material me estava a sair furada, hoje fui a uma enorme loja dos chineses (tão grande que me perdi lá dento, juro!) e comprei um godé de 4 espaços da Artix Paints 9x9 cm por €0.95. [atualização da lista de material aqui]

Estou pronta para começar! Começar por onde? Vou fazer uns círculos e experimentar a tal técnica aguada, a técnica seca e sobrepor cores... Vou descobrir, ora!

Sunday, March 01, 2020

'Cores de Água' que Imprimem Causas

Shakespeare, Henry IV, Parte I (1596), acto 5, cena 1, linha 80

Aguarela ou cores de água, water-colours, é uma técnica de pintura antiga que faz parte de muitas culturas. No Ocidente, começou por ser usada na Idade Média, para colorir os mapas e as iluminuras nos manuscritos. Entre os séculos XVIII e XIX, alguns artistas começaram a colorir os desenhos monocromáticos (gravuras) muito comuns na época.

No início, os pigmentos eram naturais; as pastilhas - pequenos blocos de pigmentos duros - como hoje as conhecemos, foram inventadas em 1780, sendo diluídas em água. A cor obtida era aplicada com um pincel num papel desenvolvido na mesma década, resistente o suficiente para suportar a água. Os primeiros estojos de pintura eram feitos pelos próprios artistas, seguindo uma publicação de 1731 que fornecia instruções sobre como os fazer; em 1830 começaram a ser comercializados os primeiros estojos, tendo sido vendidos cerca de 11 milhões, entre 1853 e 1870. 

No século XVIII tornou-se moda as viagens pela Europa - Paris, Veneza, Roma... Viajavam apenas aqueles de classe privilegiada, na sua grande maioria ingleses - basta ver os retratos de Batoni - e alemães, como Goethe. Uma das formas de registar o que viam era desenhar, eles mesmos, e colorir, de forma rápida, as paisagens, tornando-as o mais realistas possíveis. 

'View of the Villa Lante on the Janiculum in Rome' (1782)
John Cozens (1752-1797)
Desenho em aguarela com traços de grafite, 25x36 cm
Museu Metropolitano de Nova Iorque, Rogers Fund, 1967

Os pintores de aguarelas participaram nas exposições públicas anuais, mas as condições eram inferiores ao que pretendiam: as suas obras, relegadas para segundo plano em salas pouco iluminadas, pareciam não poder competir com as pinturas a óleo. 

Para saber mais:
Barker, E. (2004), 'Watercolor Painting in Britain, 1750-1850'. In Heilbrunn Timeline of Art History. New York: The Metropolitan Museum of Art.