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Sunday, November 01, 2020

Desafio da Derwent: Halloween - atualização

atualização da publicação anterior 

A manhã deste 1º de Novembro não podia ter tido mais cara de 1º de Novembro: o céu estava cinzento e carregadinho de chuva, mas havia boa luz que não devia ser desperdiçada no sofá a ver um episódio do Poirot pela milésima vez, até serem horas decentes para ver a quarta (e última?) temporada de Cardinal. Sim, porque as séries policiais têm horário especifico para serem vistas, caso não saibam, tal como os chocolates do Sr. Ferrero (agora do filho do Sr. Ferrero, o Sr. Ferrerito) que não se fazem no verão, assim como uma data de coisas que tem altura própria para acontecer. Um dia explico.

Pintar com aguarelas estava fora de questão: a temperatura húmida não combina nada com aguadas. Claro que os aguarelistas pintam quando lhes dá na cabeça, até mesmo debaixo de um vendaval se lhes apetecer, mas eu não estava para aí virada. A verdade é que estava com receio de não obter o resultado que previ, ia perder tempo e não ia completar o desafio que já está com um dia de atraso. Convém acrescentar que a Derwent é marca inglesa e os ingleses são muito pontuais, embora não tanto como os alemães, felizmente, mas eu tenho a pontualidade de um grego. Resolvi então usar os lápis de carvão.

Achei que era o material indicado para dar aquele tom dark ao desenho, já que era de Halloween e convinha que ficasse bem assustador, para que a minha falta de jeito não assustasse tanto ou mais! Tive apenas dificuldade para afiar os lápis de carvão: tentei usar o afia de plástico que veio no conjunto dos lápis misturador e abrilhantador, mas não consegui. Tentei usar a minha máquina de afiar a pilhas que comprei há uns anos no Lidl, mas também não deu. Consegui afiar com um velho afia de plástico do tempo da escola, não vou dizer primária, porque estou a exagerar, mas deve ser dos anos seguintes. Só tive pena de não gravar o ruído que a ponta de carvão fazia no papel quando estava a fazer a árvore: era um chiar sibilante, bastante caricato, que parecia dar vida à arvore que ficou bem dark como pretendia. E sabem que mais? Estou contente com o resultado! 

Material: bloco Canson Sketch XL A4 de 90g (não disseram à Derwent que o papel é da Canson, pois não?), lápis H2 Graphic Derwent, e borracha da Derwent; lápis de carvão Derwent Charcoal claro, médio, escuro e branco, e spray fixativo Academy Ghiant. 

Já está publicado no Instagram com as hashtags #derwent, #artathome, #derwentathome, #drawing, #drawingchallenge, #prompts, #drawingprompts, #derwentpencils, #derwentcharcoal e #Halloween com um dia de atraso, mas não importa: as bruxas andam sempre por aí...

Estou contente com o resultado! Estou mesmo contente com o resultado! Mesmo, mesmo contente com o resultado! Já disse que estou contente com o resultado? Estou mesmo contente. Mesmo, mesmo contente... Pronto, já me calei! Não tenho tido motivos para dizer isto muitas vezes! Estou mesmo contente! 

AVISO À TRIPULAÇÃO

Vou suspender os meus relatos artísticos até ao fim do mês, para concluir a formação de teatro! Já falta pouco para terminar! E vou ficar aqui em pulgas, porque vou encomendar livros e lápis!   

Saturday, October 31, 2020

Desafio da Derwent: Halloween

Desta vez resolvi atirar-me de cabeça num drawing challenge que vi na conta oficial da Derwent no Instagram. Imaginei logo desenhos extraordinários a grafite, carvão e aguarela. Imaginei, claro. Da imaginação à realização vão duas voltas e meia ao mundo. O desafio foi lançado no dia 25 e consistia em fazer sete desenhos assustadores, um em cada dia, até hoje, 31 de Outubro, dia de Halloween. Eu não acho piadinha nenhuma ao Halloween e espero que nenhum miúdo me venha atirar farinha à porta porque o enxotei com a vassoura quando me tocou à campainha para lhe dar doces. Não gosto do Halloween, mas tenho muito jeito para bruxa! Enchi-me de coragem e, assim que vi o post, partilhei em story. Agora tenho de o fazer!

Quiseram as bruxas - porque os deuses não me faziam uma desfeita destas - que eu tivesse a semana mais atarefada deste ano e não fui capaz de fazer nada. Para piorar, estamos em horário de inverno e já não há qualquer ponta de luz natural que se aproveite para desenhar ou pintar a partir das 16.30h. Claro que tenho candeeiros - não cheguei a comprar aqueles belíssimos e caríssimos candeeiros que tanto queria, mas tenho candeeiros em casa, não moro em nenhuma caverna de bruxa cheia de morcegos pendurados no teto - mas a luz de um candeeiro não é como a luz natural e, para mim, à luz de um candeeiro, as cores ficam um pouco alteradas. 

Por isso hoje só consegui concluir os desenhos, com muita pena minha. Demorei bem mais tempo do que estava a contar: comecei por volta das 11h, fiz intervalo para almoço de duas horas, retomei às 15 e pelas 16.30h tinha apenas o desenho pronto e eu estava quase às escuras! Apressei-me a fotografar o que tinha para publicar em story no Instagram, com as hashtags do desafio, e nem sei se vou concluir amanhã, porque a ideia era terminar o desafio hoje. E depois ir assustar criancinhas com a vassoura!

Material: bloco Canson Sketch XL A4 de 90g (não digam à Derwent que o papel é da Canson), lápis H2 Graphic Derwent e borracha da Derwent. 

Tencionava pintar a aguarelas as silhuetas em preto, com fundos amarelos e luas laranjas...   

atualização na publicação seguinte

Friday, May 01, 2020

'O Caminho Não Seguido' e 'Os Contornos do Rosto Dele'

Robert Frost escreveu dois poemas que todos devíamos conhecer: o primeiro é 'Stopping by Woods on a Snowy Evening', já referido no final da publicação 'Cores de Água' 3/20, e o segundo é 'The Road Not Taken' (ouvir aqui). Nos dois poemas, o segredo reside nos três últimos versos que se aplicam a tudo - ou a quase tudo - na vida!

Para pintar não é preciso saber desenhar, ou saber desenhar muito bem; a identidade de cada artista está na sua criatividade e na forma como transforma a sua ideia numa obra de arte - sempre dentro das suas limitações. Se olharmos para uma pintura de Wassily Kandinsky (1866-1944) ou de Paul Klee (1879-1940) e ficarmos com a ideia de que conseguíamos fazer igual, estamos a estrangular o nosso artista interior! Se olharmos para as obras de Kandinsky ou Klee e nos sentirmos impelidos a fazer algo diferente - o que é bem mais difícil, senão impossível - teremos talvez uma hipótese! 

Kandinsky, Composição VII (1913), Galeria Tretyakov, Moscovo
Klee, Máquina Chilreante (1922), Museu de Arte Moderna, Nova Iorque 

Então, o que se segue? Por onde começar? Pelo desenho! O bom e velho desenho! Ingrés (1780-1867) terá dito que o desenho é a 'probabilidade da arte'; sem  desenho não há pintura, porque o desenho não é apenas o contorno, é a expressão, a forma, o modelo - o primeiro passo para a pintura. A verdade é que não importa se sabemos desenhar ou não, o que importa é encontrar o nosso estilo de desenho e, para isso, temos de começar pelo início!

Plínio, o Antigo, Naturalis Histotiae, 35.151

Por volta de 650 a.C., em Sicyon - pequena vila do Peloponeso a 20 km de Corinto - vivia o famoso oleiro Butades e a sua filha, Kora. Ela era muito bonita e tinha muitos pretendentes que visitavam  a oficina, a pretexto de verem os trabalhos de Butades, mas na verdade iam com a esperança de verem Kora, nem que fosse por breves segundos. Butades empregou um jovem de Corinto como aprendiz. Ele tornou-se bastante querido do oleiro e não demorou muito para que ele e Kora se apaixonassem, mas rapidamente chegou o dia em que ele estava pronto para voltar à sua cidade e abrir a sua própria oficina. Antes de partir, convidou Kora para um breve passeio em jeito de despedida.
Caminharam lentamente até ao templo, junto do qual se sentaram. Kora admirava-o atentamente, com medo de se esquecer do seu rosto assim que ele partisse. 'Porque é que esquecemos os rosto daqueles que mais amamos quando estes se ausentam?', perguntou a si mesma. O sol parecia caminhar mais rápido do que o habitual, projectando a sombra do rapaz na parede ao lado. Ele moveu a cabeça e Kora viu o seu perfil na parede: 'Não te movas!', pediu. Agarrou num fragmento de cerâmica de um vaso que alguém ali tinha deixado cair, e desenhou os contornos do rosto dele.

Jean Baptiste Regnault, A Origem da Pintura (1785), Musée de l'Histoire de France, Paris

Depois de um mês a experimentar aguarelas, percebi que o próximo passo era aprender - ou reaprender - a desenhar. Este foi o caminho que não segui quando resolvi dedicar-me às aguarelas. Vou dividi-lo em duas partes: 'O Caminho não Seguido', para os primeiros passos no desenho e 'Os Contornos do Rosto Dele' para os desenhos de objectos.