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Saturday, September 26, 2020

Colorir para Quem Não Consegue Dormir 2/20

Olá pêssoau, tudo bom? Ando a ver muitos vídeos do Magia da Cor, não ando? Pois ando. A culpa é da televisão que não tem passado as séries que eu ando a seguir, e então fico a ver vídeos atrás de vídeos no YouTube. Mas hoje decidi fazer um exercício do canal Pafiadache (aqui). É um canal brasileiro sobre pintura de livros de colorir, onde fazem lives e têm um clube com extras para os seus membros. Os lives que estão disponíveis ultrapassam 1h de duração, mas eu garanto que não se dá conta do tempo passar! Quando vi, pensei que eram muito longos e que não ia assistir ao vídeo todo, mas enganei-me completamente: já vi alguns lives inteirinhos e quando acabam, quero mais! Vou voltar a este canal mais vezes, mas por agora escolhi este vídeo mais curto que é o indicado para começar.   

O que é um degradé? É uma modification progressive d'une couleur, d'une lumière. Às vezes, o francês soa bem! Só às vezes! Fazer um degradé com lápis de cor não parece complicado e é o mesmo processo usado com grafite para fazer os pontos de luz e sombra.  

Material: Uma tradicional folha de 'papel cavalinho' (120g), lápis de cor Giotto Stilnovo, lápis 1B, régua e marcador preto. 

Como começar: Traçar seis retângulos para os degradés e dois retângulos para as pinturas. Eu optei por fazer os degradés com uma, duas e três cores dentro do mesmo tom na primeira coluna, mas na segunda usei cores diferentes. Para as pinturas, segui os exemplos de paisagem de dia e paisagem de noite, mas fiz silhuetas diferentes, mais ao meu gosto. Resultado:

[falta tirar a foto e inserir imagem aqui. estou atrasada!]

Nota final: Se alguém quiser apenas se dedicar à pintura de livros de colorir e o quiser fazer em comunidade, o clube Pafiadache parece-me o indicado. Eu cliquei no 'Aderir' no YouTube para ver o preço e, para Portugal, fica €5.99 por mês. Do que tenho visto no YouTube e no Instagram (aqui), vale mesmo a pena! Só não vou aderir, porque estou a pagar quase o mesmo valor pelo curso de línguas e ainda tenho o de teatro para terminar este ano; já sei que não consigo acompanhar tudo ao mesmo tempo!  

Saturday, September 19, 2020

Colorir para Quem Não Consegue Dormir 1/20

Não sabia exatamente que título dar a esta série de publicações sobre a arte de colorir - sim, porque colorir não é só preencher uma área com uma cor - e resolvi roubar parte do título do livro de Sarah Jane Arnold, Diário de Colorir para Quem Não Consegue Dormir. Devo dizer em minha defesa que: primeiro, rima; segundo, não tive nenhuma ideia original para o título; terceiro, já fui plagiada tantas vezes que deve ser a minha vez de me apropriar de palavras que não são minhas. Sarah Jane, tal como me disseram a mim quando me queixei de plágio, considera isto uma homenagem!

Como já voaram 5 anos sobre as nossas cabeças desde a última vez que me interessei por arteterapia, fui ao site da Johanna Basford ver as novidades e procurar downloads gratuitos. Há uma parte chamada Happy Place (aqui) com 29 pdf's gratuitos:

  • onde está disponível a coruja do Secret Garden num formato maior, mas para imprimir em paisagem A4 fica reduzido, por isso prefiro o download anterior;
  • escolhi a Inky Butterfly do Ivy & Inky Butterfly que estou a planear pintar em dourados e, se ficar bem, vou tentar imprimir numa folha especial de desenho e refazer o colorido. Tenho grandes planos! Que provavelmente vão falhar, mas o que importa e tentar; 
  • também gostei dos 30 Days of Flowers do World of Flowers, mas recomendo ver aqui, pois em Março, a Johanna Basford lançou o desafio das #30daysofflowers. 'Ah, mas foi em Março!' E depois? O que interessa é fazer, desde que se faça!

Como afinal isto de trata de arteterapia, para ajudar durante o confinamento do Covid-19 em Abril, a Johanna Basford disponibilizou um e-book de 14 páginas, Flourish (aqui). Adorei os passarinhos da página 6, um para cada estação do ano que tenciono fazer em aguarelas; não sei se gosto do padrão de flores da página 7; e achei muita graça à página 8. Imprimi estas páginas em A4 normal, porque se quero pintar em aguarela, tenho de os passar para os blocos de aguarelas. Grandes projetos! Vou tentar não estragar tudo e, pelo menos, fazer UM trabalho bem feito! 


Material: Lápis de cor, ora! Oh, se fosse assim tão fácil! Esta é a série que menos dinheiro custa se não se quiser fazer trabalhos muito elaborados. Basta um conjunto de lápis de cor que tenha sobrado da escola, um bom afia-lápis, um livro de colorir e barata é a festa! 

Eu ainda tenho o que resta de uma caixa de 12 lápis de cor Giotto Naturale. Eu já não tenho a caixa, que entretanto se desfez, mas sei que estes foram feitos em Itália. A mina é muito suave, o pigmento é intenso e o único defeito é que a mina parte com alguma facilidade. Como o pigmento é intenso, eu tenho alguma dificuldade em fazer degradés ou sobreposição de cores, por isso uso-os para pintar o livro Jardins, uma vez que os desenhos não dão para grandes trabalhos coloridos. Não me lembro de ter tido lápis tão fáceis de usar como estes e, quando precisei de mais cores de lápis para fazer as atividades de um caderno criativo (aqui), optei por comprar uma caixa de 24 lápis de cor Giotto Stilnovo (€6.29 na Fnac). Não, não reparei na diferença entre Naturale e Stilnovo e por isso comprei confiante que era a mesma coisa. Não é: já apanhei algumas impurezas na mina e não são feitos em Itália coisa nenhuma! Se fosse hoje, claro que comprava algo melhor por mais €2 a €4, mas agora uso o que tenho! A não ser que venha a descobrir que o meu talento nato são os lápis de cor e decida fazer um upgrade do material.

Como começar: 'Como assim, como começar? Então não é abrir o livro, escolher uma página, pegar num lápis e começar a preencher de cor?' Não! Claro que não! Uma vida inteira a pintar acaba de ir pelo cano do esgoto abaixo, assim, num pestanejar! Óbvio que, enquanto somos pequenos, colorir é apenas preencher uma determinada área com uma cor, mas depois crescemos e connosco cresce a noção de que nada é assim tão simples como parece. Há degradés, tonalidades, brilhos, sombras, uma série de detalhes que devem ser descobertos e usados para tornar as pinturas mais realistas. 'Mas é para ser realista ou para ser antisstress?' Acho que dá para ser as duas coisas ao mesmo tempo, ou então eu estou a desenvolver uma obsessão pela perfeição à conta disto!

Na minha primeira aula de natação - e eu nunca aprendi a nadar! - estávamos sentados no bordo da piscina à espera do professor. Quando este chegou, começou a empurrar-nos para dentro da água. Na minha vez, eu avisei que não sabia nadar, mas levei o empurrão na mesma e não foi nada agradável. Até hoje evito saltar de cabeça no que quer que seja, porque não gosto de engolir um litro de água enquanto tento manter a cabeça à tona, por isso vou começar por este vídeo do canal Magia da Cor:  

Numa tradicional folha de 'papel cavalinho' (120g) - vou usar uma de um bloco escolar que comprei na reprografia por €1, mas prefiro da Canson porque sei que o ph é neutro, sem ácido e com tratamento - tracei os círculos usando uma fita adesiva (sejamos práticos!) com um lápis 1B e segui as orientações do vídeo. Depois fiz as minhas próprias experiências. O resultado? Voilá! 

[inserir imagem colorir_1.2]

Saturday, September 12, 2020

Biblioteca: Arte-Terapia Anti-Stress Jardins - 100 Imagens para Colorir

Vou inaugurar uma nova rubrica: Biblioteca. Obviamente, todos os livros estarão relacionados com arte, porque isto não é um blog de literatura: é um blog do que me der na cabeça.
  
Não me perguntem porque sempre gostei de colorir livros. Sou viciada em livros de colorir desde que sou capaz de segurar um lápis. Pintei paredes, mesas, sofás, bases de copos e, obviamente, livros, mas confesso que papel de parede era o meu material para colorir favorito. 
Sempre gostei de o fazer, mesmo quando já era bastante crescida e só encontrava à venda livros bastante infantis, mas eu podia acrescentar detalhes aos desenhos, transformando-os no que eu quisesse! Este processo de criação divertia-me, por isso não fiquei muito entusiasmada quando surgiram os primeiros livros de colorir para adultos. De repente, o que eu encarava como um processo de criação passou a ser um exercício de descontração e, confesso, eu nunca tinha percebido que o que resultava deste processo criativo era uma mera e singela descontração.

Em Abril de 2015 comprei este livro na Wook. Na altura, os livros de terapia disponíveis - e que não estavam a preços exorbitantes! - eram poucos. Já circulavam os da Johanna Basford, mas, por alguma razão que agora não me lembro, não os encontrei à venda. Não fiquei fascinada com os desenhos deste livro; na verdade, até fiquei um pouco desiludida. Não há uma única página que me dê uma vontade incontrolável de pegar nos lápis, embora algumas páginas pareçam papel de parede! Como o objetivo é arteterapia e antisstress, presumo que sejam próprios para relaxar. Como é que funcionam? 




Arte-Terapia Anti-Stress Jardins - 100 Imagens para Colorir de Ana Bjezancevic. Editorial Presença, 2014 (128 páginas), €10.90 (em 04/2015)

Não faço ideia. Tentei encontrar alguns textos que explicassem, com base científica, os benefícios da arteterapia, mais concretamente da atividade de colorir, mas achei-os tão aborrecidos e chatos - principalmente quando referem Jung e as mandalas - que desisti de os ler.

A primeira coisa que reparei foi na complexidade do desenho: é provável que esta complexidade seja o meio de libertar o stress, o meio de desligar a nossa complexidade do dia a dia dando-nos uma outra complexidade para a mente se entreter. O que é certo, e é por isso que pintamos livros em crianças, pintar um desenho ativa a nossa coordenação e orientação, assim como a concentração. As cores ajudam a criar harmonia nos momentos em que se está a pintar, desenvolve a criatividade e dá-nos motivação, porque afinal queremos concluir a pintura. Sem esquecer que ao colorir um desenho, temos tendência para usar a lógica e a criatividade, o que ativa os os dois lados do cérebro. 
Lembro-me de ter pintado a cara Rainha Má da Branca de Neve de roxo. Não sei se usei a lógica e/ou a criatividade: apenas não gostava muito do roxo e a Rainha Má, transformada naquela velhota de verruga no nariz, arrepiava-me um pouquinho, por isso resolvi pintá-la toda de roxo. Depois irritei-me porque o desenho ficou horrível e arrumei o livro. 

Concluindo: não importa entender os efeitos da arteterapia e antisstress, importa que entretém e é bonito, apela ao lado artístico que todos temos, principalmente aqueles que não sabem desenhar, pois pintar é fácil, não é? Não, não é!

No canal Magia da Cor (entre muitos outros, mas se começar a seguir todos não faço outra coisa!) são feitas recensões a alguns livros: Johanna Basford, Leila Duly e Teresa Goodridge. Eu confesso que gosto de alguns desenhos, mas não consigo escolher um único livro, porque gosto de desenhos de vários livros, mas de nenhum em especial. Existem com certeza muitos sites com desenhos disponíveis como o The Guardian, que mantém uma página (clicar aqui) disponível desde 2013 com 5 desenhos para download do Secret Garden. Eu escolhi a coruja (2), embora não seja um dos meus preferidos, mas costuma aparecer muito nos tutoriais do YouTube, e um fundo floral (3) porque é o usado no Magia da Cor para fazer o 'efeito de vitral'. Fiz o download e imprimi em cartolina branca A4 - não será o melhor tipo de papel, mas era o possível na reprografia, e não fiz em A3 porque assim posso guardar com mais facilidade, embora os desenhos tenham ficado pequenos. 


Nota: Mais links para downloads gratuitos da Johanna Basford aqui

Passados cinco anos desde a minha compra, fui à Fnac ver o que estava disponível: nove livros, em inglês e português, entre os €10 a 20 euros; e à Wook: trinta de três livros, em inglês e português (mais treze em francês e espanhol), entre os €15 e os €20. Encontrei um que não é bem deste estilo, mas que combina com o título deste blog e que pode agradar a alguém: Diário de Colorir para Quem Não Consegue Dormir de Sarah Jane Arnold. Editora Nascente, 2017 (€13.29).

Saturday, September 05, 2020

Loja: Ponto das Artes - o que me esqueci de comprar!

Passaram-se três longos meses, mas a vontade de fazer aguadas desajeitadas continua! Tenho todo o meu material de pintura e de desenho guardado numa caixa, exceto os lápis e os pincéis, para os quais devia arranjar estojos, uma vez que não os uso com tanta frequência que se justifique tê-los ao pó, mas ficam muito bem a colorir e a decorar as minhas estantes. Passaram-se três longos meses? Voaram três longos meses durante os quais, depois de concluir que era impossível entrar num avião, decidi ficar por casa, no que me está mais próximo. Se a pandemia nos tem de ensinar alguma coisa, que nos ensine a descobrir a beleza dos pequenos lugares que nos estão próximos. 

Aproveitei uma ida à baixa para voltar ao Ponto das Artes, pois tinha-me falhado um pormenor muito importante: precisava de fixador para os desenhos a carvão. Optei por comprar o Spray Fixativo Academy Ghiant que serve para tudo, por €5.47 em vez de um mais caro e específico. Aproveitei também para comprar um bloco Canson XL Aquarelle 300g A5 de 20 folhas, por €4.68. É igual ao A4 de 30 folhas que já tenho guardado. Tenho muita esperança que consiga fazer umas pinturas bonitinhas e, caso queira guardar algumas, convém ter um bom bloco para as fazer. Queria também uma caneta à prova de água, pois tenho em mente fazer umas ilustrações. Comprei um Marcador Pigma Micron Sakura Ponta 0.25mm Preta por €1.44. Foi um pouco à sorte. Num dos seus vídeos, a Mika Serur recomenda uma ponta mais grossa para os contornos exteriores e uma ponta mais fina para os contornos interiores. De facto é uma boa dica, porque faz um efeito muito natural, mas como eu não tinha pensado bem neste assunto ainda, acabei por aproveitar a viagem e comprar só esta. É no que dá evitar muitas deslocações. 

Passei ainda numa Flying Tiger e comprei um godé redondo em forma de flor muito bonitinho que tenho visto em vários vídeos. O indicado é de porcelana, mas eu comprei de plástico. Não sei se vai manchar muito - o meu pequeno godé já está bastante manchado - mas por €1 não se pode pedir mais!

Por fim, com a minha saca de compras enfiada no braço, fui ao Starbucks mais próximo. Há algo de mágico que nos acontece quando se tem enfiada no braço uma saca com produtos de arte. Toleramos a cotovelada o transeunte que não se afastou e decidimos dar uma oportunidade a quem nos desiludiu. Neste caso, ao café que nos desiludiu.
Durante anos fui ávida consumidora do Starbucks, principalmente em Atenas, ao lado da igreja Evangelismos Theotokou na Mitropoleos (agora um pouco mais abaixo, na Mitropoleos com a Aiolou), ou um de serviço que havia perto da Akadimias, que acabou incendiado nas manifestações de 2010 ou 2012, onde eu comprava o meu café antes de apanhar o autocarro para a faculdade.
De todos os Starbucks por onde passei, o da minha cidade natal tinha de ter o café mais horrível. Como é que são capazes de me fazer uma desfeita destas? Como? Pedi um frapuccino tall mocca (cobram mais €0.30? Really?) e, porque estava com fome, pedi uma fatia de bolo de limão que estava a olhar para mim, molhadinho, com cobertura de açúcar branco como nas cavacas de Resende que eu gosto muito... Como é que são capazes de me fazer uma desfeita destas? Como?

Nota da contabilidade: Nestas compras, gastei €15.62! Total de €!   

Sunday, May 31, 2020

Loja: Ponto das Artes, Porto

Há já muito tempo que não entrava numa loja onde me sentisse tão entusiasmada! Talvez por ter sido a primeira loja em que entrei depois da época de confinamento, senti mais entusiasmo do que aquele que senti ao entrar na loja Prada em Nova Iorque. Acreditem, é verdade! Até porque nunca me entusiasmei muito com moda. E já tinha entrado na Versace em Roma. Gosto muito da Medusa!

Bom, eu tinha três hipóteses: 
  • desistia das aguarelas e arranjava outro entretenimento - crochet, por exemplo;
  • continuava com o material que tenho e tentava fazer melhor - missão impossível;
  • fazia um upgrade ao material, enchia o peito de coragem e tentava fazer melhor.
Optei pela terceira hipótese, obviamente. Ainda é muito cedo para me declarar a pior pintora de aguarelas do mundo e sou muito nova para fazer crochet. É coisa de velha, não é? E estabeleci um limite, não por questões económicas, mas por questões de logística: decidi que não posso acumular muitos materiais em casa, não só por falta de espaço, mas pelo desperdício que é, porque depois estorvam, ninguém os quer e vão para o lixo. Assim, estabeleci o limite de €100! Não é por ano, mas também não é para a vida toda! A regra é esta: só é permitido ultrapassar os €100 se e só se  - eu preciso de matemática, lógica e muita filosofia para estabelecer regras! - gastar os materiais que tenho.  

Encontrei a loja Ponto das Artes por acaso e nunca, mas nunca me tinha apercebido da sua existência. Realmente, só vemos o que estamos preparados para ver, pois passei na frente desta loja inúmeras vezes e nunca tinha dado conta. Andava a pesquisar as borrachas-pão e vi o anúncio da loja. Embora fechada por causa do confinamento, aceitava encomendas online, mas como eu não conhecia os materiais, queria vê-los e fazer perguntas antes de os comprar. Pesquisei exaustivamente todo o site, vi todos os materiais relacionados com aguarelas e fiz a minha lista. Como é uma loja da especialidade, não tem materiais 'fracos', isto é, para além dos profissionais, tem os produtos adequados para os estudantes de artes. Foi por esta gama que optei depois de muitos cálculos e análises macroeconómicas da minha equipa, que me propôs a seguinte equação praticamente merecedora do Prémio Nobel da Economia: 

qualidade x preço <=> jeito da artista

Precisava urgentemente de pincéis. Seguindo a lista dos pincéis recomendados no Magia da Cor (aqui), tentei encontrar uma forma de adquirir pincéis espatulados, redondos e de ponta fina de vários tamanhos, tendo em conta a minha equação. Optei pelos conjuntos de Pincéis para Aguarela Campus. São pincéis de cerdas não naturais, em cabos de madeira longos lacados. São vendidos em conjuntos de 3 pincéis numa variedade de quatro tamanhos: S, M, L e XL e cada conjunto traz um espatulado, um redondo e um ponta fina. Concluindo, isto dá: 
  • 4 pincéis espatulados, tamanhos 4 (S), 8 (M), 12 (L) e 20 (XL); 
  • 4 pincéis redondos, tamanhos 8 (S), 12 (M), 16 (L) e 20 (XL);
  • 4 pincéis de ponta fina, tamanhos 2 (S), 4 (M), 8 (L) e 10 (XL).
Feitas as contas, o total destes 12 pincéis era de €15.91. 

Seguiram-se as tintas. Decididamente, as minhas não eram nada boas, tendo em conta os resultados nos vídeos que fui vendo. E se lidar com a imprevisibilidade da aguarela já é difícil, lidar com a má qualidade da aguarela é ainda mais difícil. Pondo de lado as maravilhosas marcas profissionais disponíveis nesta loja, reparei que a Derwent, que apenas conhecia do meu lápis de grafite, tem a linha Derwent Academy, mais em conta pois, como o próprio nome indica, é para estudantes de arte. Passou a ser a minha marca para tudo neste momento. Escolhi:
  • a Caixa de Pastilhas Aguarela Derwent Academy de 12 cores: a paleta vem numa caixa metálica cuja parte superior tem 3 secções e traz ainda um pincel fino; 
  • o Conjunto Aguarela Derwent Academy de 12 tubos de 12ml: a paleta vem numa caixa de plástico, sendo útil um godé com tampa, daqueles com uma coluna para colocar a tinta e outro para diluir na água.
As cores da caixa são amarelo ácido, laranja, vermelho, azul escuro, azul, verde escuro, verde claro, ocre amarelo, terracota, umber queimado, preto e branco. Esta paleta estava marcada por €8.15. Inacreditavelmente, a paleta de tubos estava mais barata, €7.85. Vou guardar os tubos para outras aventuras e já abri o estojo das pastilhas. Eis o resultado: 

[imagem]  

Usei o pincel espatulado n.º 4 e aproveitei para experimentar todos os outros. À medida que os experimentava, percebi que os XL serão apenas úteis se fizer pinturas grandes e vai fazer-me falta um pincel fino. O da Derwent, que vem no estojo das pastilhas, é perfeito, mas talvez um pincel mais fino ainda, para pequenos detalhes, não seja má ideia, assim como um leque. À primeira vista pode parecer que não faz falta nenhuma, mas se pensar num modo de pintar árvores, talvez seja útil. 

Por fim, os acessórios: a máscara e a borracha. Optei pela Máscara Líquida Sennelier e queria o frasco com aplicador, mas como não estava disponível, tive de optar pelo de 75ml por €7.04. Quanto à borracha, optei pela Borracha Pão da Faber-Castell por €1.03, não porque goste muito desta marca, devo ser das poucas pessoas que não a prefere às outras do género, mas porque tem a vantagem de vir numa prática caixinha para guardar. A Borracha Miolo de Pão da Derwent custa €2.28 e a da Inart €0.80. Como duram bastante tempo, optei pela que me pareceu mais prática para guardar. 

Nota: Tinha na minha wishlist da Fnac a Borracha Pão da Faber-Castell. Não está disponível na loja, é vendida por um agente, por €4.90. Antes de comprar qualquer coisa, convém sempre pesquisar!  

Já cortei uma tira de meio centímetro e guardei a restante, embrulhada num plástico extra, dentro da caixa para preservar. É das coisas mais estranhas que já experimentei no mundo das artes: basta ir amassando e moldando da forma que mais jeito der para apagar, e guarda-se também embrulhada num plástico para não secar. As linhas a lápis desaparecem suavemente e o papel mantém-se intacto. 

Tive um grande problema quando fui ver os expositores com material para desenho: bastou-me ver a Derwent para ficar com vontade de comprar tudo e mais alguma coisa! Tentei concentrar-me no que era verde (a Derwent é azul, a Derwent Academy é verde), mas a tentação era muita! Demonstrei grande controlo ao apenas escolher um conjunto de lápis de carvão para fazer experiências e esfuminhos. Finalizei as compras com um Conjunto Lápis Carvão Derwent (blister com 4 lápis de carvão claro, médio, escuro e branco) por €4.60 e uma embalagem de 3 diferentes tamanhos de Esfuminhos da Talens por €1.04. A assistente da loja respondeu a todas as minhas perguntas e foi buscar o que eu não encontrei com rapidez: foi a rainha da eficiência. Quando vi a conta, percebi que fazem desconto em todos os artigos, ou seja, em vez dos €39.98 previstos, paguei €29.27! Guardei as compras no meu saco de pano e voltei para casa de máscara, por isso ninguém reparou no meu mega sorriso!

Nota da contabilidade: Nestas compras, gastei €29.27! Total de €00.00!   

AVISO À TRIPULAÇÃO

Vou suspender os meus relatos artísticos por três meses. Preciso de tempo para terminar a formação de teatro e gosto de desligar-me do mundo nos meses quentes. Infelizmente, não vou poder ir para nenhuma ilha, a não ser através dos livros do Lawrence Durell que gosto de ler à sombra de uma árvore em Anafiótika, enquanto ouço o Mia Varka Gia Na Pas Apenadi do Giannis Parios. Durante a pandemia, restam-nos os livros!

Friday, May 01, 2020

'O Caminho Não Seguido' e 'Os Contornos do Rosto Dele'

Robert Frost escreveu dois poemas que todos devíamos conhecer: o primeiro é 'Stopping by Woods on a Snowy Evening', já referido no final da publicação 'Cores de Água' 3/20, e o segundo é 'The Road Not Taken' (ouvir aqui). Nos dois poemas, o segredo reside nos três últimos versos que se aplicam a tudo - ou a quase tudo - na vida!

Para pintar não é preciso saber desenhar, ou saber desenhar muito bem; a identidade de cada artista está na sua criatividade e na forma como transforma a sua ideia numa obra de arte - sempre dentro das suas limitações. Se olharmos para uma pintura de Wassily Kandinsky (1866-1944) ou de Paul Klee (1879-1940) e ficarmos com a ideia de que conseguíamos fazer igual, estamos a estrangular o nosso artista interior! Se olharmos para as obras de Kandinsky ou Klee e nos sentirmos impelidos a fazer algo diferente - o que é bem mais difícil, senão impossível - teremos talvez uma hipótese! 

Kandinsky, Composição VII (1913), Galeria Tretyakov, Moscovo
Klee, Máquina Chilreante (1922), Museu de Arte Moderna, Nova Iorque 

Então, o que se segue? Por onde começar? Pelo desenho! O bom e velho desenho! Ingrés (1780-1867) terá dito que o desenho é a 'probabilidade da arte'; sem  desenho não há pintura, porque o desenho não é apenas o contorno, é a expressão, a forma, o modelo - o primeiro passo para a pintura. A verdade é que não importa se sabemos desenhar ou não, o que importa é encontrar o nosso estilo de desenho e, para isso, temos de começar pelo início!

Plínio, o Antigo, Naturalis Histotiae, 35.151

Por volta de 650 a.C., em Sicyon - pequena vila do Peloponeso a 20 km de Corinto - vivia o famoso oleiro Butades e a sua filha, Kora. Ela era muito bonita e tinha muitos pretendentes que visitavam  a oficina, a pretexto de verem os trabalhos de Butades, mas na verdade iam com a esperança de verem Kora, nem que fosse por breves segundos. Butades empregou um jovem de Corinto como aprendiz. Ele tornou-se bastante querido do oleiro e não demorou muito para que ele e Kora se apaixonassem, mas rapidamente chegou o dia em que ele estava pronto para voltar à sua cidade e abrir a sua própria oficina. Antes de partir, convidou Kora para um breve passeio em jeito de despedida.
Caminharam lentamente até ao templo, junto do qual se sentaram. Kora admirava-o atentamente, com medo de se esquecer do seu rosto assim que ele partisse. 'Porque é que esquecemos os rosto daqueles que mais amamos quando estes se ausentam?', perguntou a si mesma. O sol parecia caminhar mais rápido do que o habitual, projectando a sombra do rapaz na parede ao lado. Ele moveu a cabeça e Kora viu o seu perfil na parede: 'Não te movas!', pediu. Agarrou num fragmento de cerâmica de um vaso que alguém ali tinha deixado cair, e desenhou os contornos do rosto dele.

Jean Baptiste Regnault, A Origem da Pintura (1785), Musée de l'Histoire de France, Paris

Depois de um mês a experimentar aguarelas, percebi que o próximo passo era aprender - ou reaprender - a desenhar. Este foi o caminho que não segui quando resolvi dedicar-me às aguarelas. Vou dividi-lo em duas partes: 'O Caminho não Seguido', para os primeiros passos no desenho e 'Os Contornos do Rosto Dele' para os desenhos de objectos.